{Resenha} A Noite Devorou O Mundo, Pit Agarmen
✨Resenha 📖 A Noite Devorou O Mundo, Pit Agarmen
✦ Sinopse ✦
Neste inusitado romance de terror e de zumbis, o francês Martin Page, autor do bestseller Como me tornei estúpido, faz uma fábula sobre a sociedade de consumo, sob o pseudônimo de Pit Agarmen. No livro, uma epidemia assola o planeta e transforma os humanos em seres demoníacos, selvagens e cruéis. Antoine Verney é um sobrevivente, mas não tem nada de herói. Como um Robinson Crusoé moderno, ele tem que aprender a sobreviver e a enfrentar a solidão.
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✦ Resenha ✦
Esse livro me prendeu bastante, mesmo que eu tenha ficado meio dividida com o final. A narrativa é em formato de diário e acompanha um protagonista sobrevivendo sozinho em um apartamento depois do ataque zumbi. Como ele é super introspectivo, conseguiu se adaptar bem ao isolamento. Enquanto muita gente não aguentaria a solidão, ele criou uma rotina quase ritualística: matar alguns zumbis por dia, tomar vinho, escrever, desenhar, observar os mortos pela janela, buscar comida nos apartamentos vizinhos e coletar água da chuva. O silêncio virou sinônimo de segurança e qualquer barulho significava perigo.
Achei muito curioso como o autor trabalha algumas situações. Logo no início, por exemplo, o personagem acorda no meio do caos e resolve limpar todo o apartamento cheio de sangue como se isso fosse prioridade. Em outro momento, ele começa a sentir prazer em atirar contra os zumbis, que eram basicamente antigos moradores ricos do condomínio, numa crítica meio irônica à desigualdade social. O episódio com o gato também me marcou muito. Era a única criatura viva que ele encontra em meses e, quando tenta se aproximar, quase acaba morto. No fim, frustrado, ele atira no animal. É cruel, mas mostra o quanto ele desejava um vínculo e ao mesmo tempo não conseguia lidar com o risco.
Um detalhe que gostei foi a relação quase simbiótica dele com os zumbis. Quando eles desaparecem por um tempo, ele comemora no começo, mas logo se sente vazio, como se a ausência deles também negasse sua própria existência.
Já o final me deixou meio frustrada. O autor resolve colocar uma nova sobrevivente, que aparece quase como “salvadora”. Enquanto ele passou meses recluso, ela sobreviveu sempre em movimento. Sua chegada muda completamente a rotina dele, esbanja recursos, o obriga a se arriscar mais e, claro, serve como catalisadora de transformação. Eu até entendi a intenção, mas soou forçado, como se ela tivesse sido criada só para consertar a vida dele. No fim, os dois cedem um pouco: ela aceita morar com ele e ele aprende a sair mais para explorar.
É impossível não lembrar da pandemia de COVID-19 lendo esse livro. Ele preso em casa, com medo de sair, os zumbis representando o risco de contaminação e a chegada dela funcionando quase como uma “cura”, mostrando que ainda havia mundo lá fora.
No geral, gostei bastante da leitura. A escrita é fluida e traz reflexões interessantes sobre isolamento, solidão, rotina e desigualdade. Só o final que eu queria que tivesse sido mais natural, sem depender tanto da figura da salvadora.

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