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Mostrando postagens de abril, 2013

Orfeu da Conceição – Vinícius de Moraes

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Orfeu (descendo do morro para a cidade [o inferno]) : Orfeu e Eurídice “ Não sou daqui, sou do morro. Sou o músico do morro. No morro sou conhecido – sou a vida do morro. Eurídice morreu. Desci à cidade para buscar Eurídice, a mulher do meu coração. Há muitos dias busco Eurídice. Todo mundo canta, todo mundo bebe: ninguém sabe onde Eurídice está. Eu quero Eurídice, a minha noiva morta, a que morreu por amor de mim. Sem Eurídice não posso viver. Sem Eurídice não há Orfeu, não há música, não há nada. O morro parou, tudo se esqueceu. O que resta de vida é a esperança de Orfeu ver Eurídice nem que seja pela última vez ”.

Eu não.

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Eu não tinha pais. Eu adotei o céu e a terra como meus pais. Eu não tinha casa. Eu adotei estar consciente como minha casa. Pra mim não existia vida e morte. Eu adotei a respiração e a aspiração como vida e morte. Eu não possuía meios. Eu adotei a compreensão como meu meio. Eu não possuía habilidades especiais. Eu adotei a moral como minha habilidade especial. Eu não possuía olhos. Eu adotei ser rápido como a luz como meus olhos. Eu não possuía ouvidos. Eu adotei a sensibilidade como meu ouvido. Eu não possuía membros. Eu adotei a agilidade como meus membros. Eu não possuía estratégias. Eu adotei não desvanecer de pensamento como minha estratégia. Eu não possuía projetos. Eu adotei prever oportunidades como meu projeto. Eu não possuía princípios. Eu adotei me adaptar às situações como meu princípio. Eu não tinha amigos. Eu adotei meu coração como meu amigo. Eu não possuía talentos. Eu adotei o ser persistente como meu talento. Eu não possuía inimigos. Eu adotei a imprud...